terça-feira, 19 de outubro de 2010

A pureza

Procura-se uma pessoa pura.

Sim, a sua pureza se perdeu em algum cantinho do seu coração. Quanta gente rude e amarga que há. Amáveis são as crianças. Que delícia compartilhar a doçura das suas perguntas, dos seus olhares contemplativos, do seus sorrisos doces, límpidos. As vezes adoro a minha Terra do Nunca, o lado infantil que carrego num pedacinho do meu ser, eu respondo àquela música do Capital Inicial...

"O que você faz quando
Ninguém te vê fazendo
Ou o que você queria fazer
Se ninguém pudesse te ver"

Oras, eu sou muito mais eu, muito mais solta, muito mais feliz. Dá medo sim, de parecer boba frente aos outros. E é um tanto quanto desconfortável ver o olhar de discriminação das pessoas que julgam, julgam, julgam o tempo todo. As pessoas não dançam o seu próprio passo. As pessoas não sorriem com a alma. Não brincam. Não se espreguiçam como deveriam. Não se soltam...

Travam.

Travas e máscaras. Travas e máscaras e amarras. Disse Rubem Alves que quando os olhos estão na Caixa dos Brinquedos "eles brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo".

Será que com o coração acontece o mesmo?

Sinto falta de gente pura, simples, doce, descomplicada, amável... não sei racionalmente explicar em qual momento ou de que maneira esses adjetivos se cruzam, se entrelaçam. O que sei é que quando penso nessas doces pessoas todos me vêm em mente.

Interessante que praticamente todas as pessoas percebem quando a outra carrega essa pureza em si. Muitos admiram. Talvez somente as pessoas compatíveis comentem: ''São anjos, são especiais, tem uma energia diferente, tem uma luz'' e quantas coisas mais se escuta carinhosamente...

É muito gostoso conviver com estes seres diferenciados. Um mundo à parte. O meu mundo.

...menos palavras, explicações. Mais sentir, vivenciar, contemplar!

"As pessoas grandes tem tanta dificuldade de compreensão. Elas sempre tem necessidade de explicações. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas". Antoine de Saint-Exuppery

Não me pergunte, me viva, sinta os meus passos, ouça o meu silêncio.

Por Patrícia Portal.

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