segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os inventores do dinheiro

O dinheiro foi inventado na Lídia. Não duvido que tenha sido por isso que Tom Jobim compôs uma música homenageando o nome daquela antiga e já extinta nação. A Lídia ficava mais ou menos onde fica hoje a Turquia. Algum de seus administradores teve a ideia de cunhar moedas lá pelo século 6 antes de Cristo. É evidente que outras formas de dinheiro eram empregadas antes. O sal, por exemplo, tinha tanto valor que havia sido utilizado para pagamento dos soldados romanos, donde a palavra “salário”. Mas a moeda, moeda mesmo, foi coisa dos lídios. Eles fundiam amêndoas de metal com os valores inscritos em baixo-relevo, capazes de serem identificados até por analfabetos, que, claro, eram a maioria da população.

Assim, o comércio foi facilitado e a Lídia enriqueceu. Seus reis tornaram-se notórios pela fortuna que possuíam. Um mais do que todos: Creso. Em meados dos anos 500 a.C., Creso era o homem mais rico do mundo.

Uma vez, o famoso legislador grego Sólon visitou a Lídia e Creso o recebeu em pessoa. Disposto a impressioná-lo, começou a mostrar-lhe seus palácios suntuosos, seus tesouros cintilantes, suas mulheres de pernas de gazela e seios de mamão-papaia.

– Você não acha que sou o homem mais feliz do mundo? – exibia-se Creso. – Não acha, Sólon? Não acha? Hein?

Sólon nada respondia. Até que o rei se irritou:

– Mas por que catzo você não diz que sou o homem mais sortudo do mundo, ô, Sólon???

– Porque sua vida ainda não terminou – ponderou o grego. – Só posso dizer se um homem foi realmente feliz depois de ter conhecido o desfecho de sua existência.

A resposta de Sólon é considerada universalmente um diamante de sabedoria. Não acho. Acho que ser feliz em meio à trajetória já basta para definir se uma pessoa é feliz. Você não precisa ser campeão para tornar sua torcida satisfeita. A torcida do Inter nos últimos cinco anos, por exemplo, é uma torcida razoavelmente realizada, mesmo que o clube não tenha vencido a maioria dos títulos que disputou. Mas um clube como o Grêmio, que tortura o seu torcedor durante a maioria dos campeonatos, esse é um clube de danação. É fácil reconhecer um infeliz quando se vê um.

David Coimbra -Texto publicado na página 34 de Zero Hora dominical.

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